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Saiba um pouco mais sobre a
gastronomia do MS
Os índios foram os
primeiros habitantes da região, possuindo uma dieta à
base de carnes de caça, principalmente catetos,
queixadas, capivaras e veados, além de peixes e frutas
nativas. Com a chegada dos conquistadores espanhóis pelo
lado oeste do rio Paraguai, seguidos posteriormente
pelos portugueses vindos do leste, novos hábitos foram
incorporados, muitos deles permanecendo até os dias
atuais.
Nos primeiros
séculos de nossa história, os colonizadores portugueses
se limitaram a ocupar a costa brasileira, realizando
poucas incursões pelo interior. Apenas com o início das
Entradas e Bandeiras, no final do século XVI, é que os
espaços do interior foram conhecidos. Um novo e
importante capítulo começava a ser escrito em nossa
culinária com as refeições de viagem, limitadas pela
enorme falta dos ingredientes habituais que permitissem
o preparo de uma boa comida. Surgia assim a necessidade
de improviso e do intercâmbio de costumes alimentares, e
às vezes a fome se tornava companheira de viagem.
O principal
alimento que esses desbravadores e tropeiros levavam na
bagagem era a farinha de mandioca. Bem seca, para durar
muito tempo, a ela ia se juntando a carne do gado que,
vindo de Cabo Verde, era gradualmente introduzido no
Brasil. Essa carne era salgada e seca em varais ao sol
ou empilhada em mantas. Depois de assada e misturada à
farinha, resultava na paçoca, ainda hoje um prato de
“sustância” em algumas regiões do país.
Os Bandeirantes
eram obrigados a criar lavouras pelos caminhos que
cruzavam, para assegurar alimento aos próximos
aventureiros que os seguiam. Plantavam milho, feijão e
abóbora, que eram de cultivo fácil. Vinha do milho a
primeira refeição do dia, a jacuba, uma mistura da
farinha do milho com água fervente adoçada com rapadura.
Vários pratos eram preparados com o milho, entre eles o
virado, mistura da farinha com feijão. Seu nome vem do
fato de que, após ser misturado na panela, o alimento
era embrulhado num pedaço de pano, ficando ainda mais
virado após as horas de viagem.
Na estrada e nas vilas em formação cozinhava-se
agachado, usando como fogão três pedras arrumadas em
forma de triângulo, protegendo o fogo. Esta prática foi
aprendida com os índios, e tornava mais prático o
preparo dos alimentos. Às vezes usava-se o fogão de
tucuruva, feito de três casas abandonadas de cupim,
naturalmente refratárias e perfeitas para manter as
chamas.

Aproveitavam como
alimento tudo o que fosse possível, e quando as roças
não davam mais conta partiam para a pesca e a caça.
Assava-se peixes dentro de folhas e secavam a caça, que
podia ser aves, onças, veados, macacos, quatis, antas,
veados, capivaras, até cobras e lagartos. Aproveitava-se
também o mel das abelhas, carás (uma espécie de raiz
tuberosa), palmitos, bananas, maracujás, etc.
Com a decadência das minas de ouro em Ouro Preto e
região no século XVIII, os Bandeirantes começaram a
buscar outros espaços, indo para Mato Grosso e Goiás,
para onde levaram todos esses costumes alimentares, e
também assimilando os costumes indígenas locais,
aprendendo a usar as frutas, legumes e temperos
regionais na cozinha do dia-a-dia.
Os tropeiros
vindos do sul trouxeram grandes contribuições, mas
nenhuma tão tradicional como o arroz carreteiro e o
hábito aprendido com os índios de preparar o churrasco
de chão.
A
CULINÁRIA SUL-MATOGROSSENSE
Com o passar dos anos e a vinda de migrantes e
imigrantes, a influência do rádio, da tv e a
globalização via internet trouxeram novos temperos,
pratos e modismos para regiões anteriormente remotas e
isoladas.
Nesse paraíso de
novos sabores e recursos culinários, o que terá
acontecido com os pratos tradicionais que nasceram das
necessidades e dos ingredientes de cada região, com a
sabedoria de quem aprendeu ao longo dos anos as medidas
e temperos certos para cada receita?

Muita gente
acredita que quanto mais longe dos grandes centros, mais
fácil de se preservar das influências externas os
sabores originais. Porém, deve-se considerar que um
prato típico se mantém pelas emoções e lembranças que
seu sabor desperta às pessoas que têm neles parte de sua
história. Os valores culturais incluem o alimento de uma
região, pois este se fortaleceu e se modificou junto com
a evolução de seus habitantes. Enfim, é através da
comida típica que podemos entrar em contato com um
importante aspecto da cultura de um povo.
A culinária
pantaneira, antes da construção da estrada de ferro
Noroeste do Brasil (finalizada em 1914) tinha uma
dependência do rio Paraguai: navios estrangeiros ali
aportavam, trazendo mercadorias, passageiros e
consequentemente seus costumes (geralmente
fronteiriços). Deste período destacamos o “puchero”
(cozido) da Argentina, que é diferente do similar
mineiro; do Paraguai veio a chipa, a sopa paraguaia e o
locro; de Cuiabá as farofas de banana e de carne, o pacu
ensopado, frito ou assado, e o caribéu (abóbora com
carne seca).
Merece destaque
especial o TERERÉ, também de origem paraguaia. Trata-se
da mais popular bebida sul-matogrossense, uma espécie de
chimarrão dos gaúchos, preparado com a erva mate (Ilex
paraguariensis) e bebido frio ou gelado. Sua chegada
deu-se através das cidades fronteiriças de Ponta Porã e
Bela Vista, região rica em ervais nativos, que tiveram
muita importância na formação do Estado através da
histórica Companhia “Matte Larangeira”.
Depois da
finalização da estrada de ferro ligando Corumbá a Santa
Cruz de La Sierra, a Bolívia contribuiu com a saltenha e
o arroz boliviano (espécie de rizoto com ervilhas,
banana da terra frita, pedaços de galinha, ovos cozidos
e milho verde).
Na culinária sul-matogrossense como um todo, destacam-se
ainda:
Pequi (fruta
típica do Cerrado), utilizado tanto no preparo de um
prato salgado (arroz com pequi) como na forma de licor;
Forrundu (doce feito de mamão e rapadura de cana);
Guaraná (ralado na hora, é substituto do cafezinho,
estimulante e renova energias); Quibebe de mamão;
Suco ou caldo de piranha (é forte e renova energias);
Bocaiúva (fruto nativo que pode ser usado como farinha,
com leite quente ou no preparo de sorvetes);
Peixes variados (pacu, dourado e pintado, entre outros);
Churrasco pantaneiro (servido sempre com mandioca);
Carne seca (em paçoca, cozida, frita, assada, no arroz,
etc);
Doces de época (caju, goiaba, carambola, abóbora,
doce-de-leite na palha – Três Lagoas e Campo Grande).
EM BONITO
Em Bonito não
poderia ser diferente a mistura de sabores, afinal sua
colonização teve participação de todos estes povos,
culturas e, principalmente, paladares. Nos restaurantes
da cidade se oferecem inúmeras opões com peixes de água
doce e uma marcante valorização de frutas e carnes da
região que pode ser observada tanto nos pratos
principais como até nas sobremesas.
A boa mesa conta
com inúmeros estabelecimentos que variam entre
restaurantes típicos, churrascarias, comida a kilo e a
“la carte”, pizzarias, e lanchonetes.
Seguem logo
abaixo alguns pratos que podem ser saboreados quando se
visitar a cidade de Bonito.
Desejamos a todos um excelente apetite!
1. Filé
de Pintado a Caramanchão – filé de pintado
recheado com ameixa, mel, banana, bacon e molho de
urucum, como acompanhamento é servido mandioca frita,
legumes, palmito e banana a milanesa.
2.
Arroz Carreteiro – Carne de sol frita e
depois cozida com arroz.
3.
Pintado a Urucum – filé de pintado a dorê
coberto com molho de urucum, creme de leite e
mussarela fatiada. Ao forno.
4.
Pintado ao Mestre João – filé de pintado
grelhado coberto com molho batido de urucum,
requeijão, creme de leite e queijo catupiry.
5.
Caldo de Piranha – piranhas bem cozidas com
todos os temperos a gosto – cebola, pimentão, shoyu,
tomate e coentro – misturados com mandioca ralada.
6.
Churrasco – carne bovina assada em espetos,
geralmente acompanhada de mandioca cozida.
7.
Moqueca de Jacaré – filé de jacaré com molho
de tomate, cebola, pimentão, leite de coco e arroz.
8.
Jacaré a Parmeziana – filé de jacaré frito a
“parmeziana” com de molho de tomate e mussarela
fatiada, acompanhado de batatas fritas e arroz.
9.
Dourado Assado – dourado inteiro recheado com
farofa de banana e assado.
10.
Sopa Paraguaia – bolo salgado feito a base de
farinha de milho, muito queijo e cebola.
11.
Chipa – espécie de pão-de-queijo, feito com
polvilho e queijo mas, muito maior que seu primo
mineiro.
12.
Doces Caseiros – doces que podem ser feitos
com mamão, abóbora, caju, manga, laranja, queijo ou
leite, entre outros.
13.
Especiarias da Guavira e da Bocaiuva – frutas
típicas do cerrado sul mato-grossense, base para
receitas de licor, sucos, manjares, sorvetes e flans.
14.
Tereré – versão gelada do chimarrão. A erva
mate é colocada em uma caneca, que geralmente é feita
de chifre de bovinos, com água bem gelada. A bebida é
tomada com a chamada “bomba”.
Bibliografia - Trabalho realizado em
agosto de 2000, pelos então alunos do Curso de Guia de
Turismo Regional de Bonito, MS, sob orientação da
Professora Marlei Sigrist, na disciplina “Manifestação
da Cultura Popular”. Daniel De Granville Manço, Izabela
Pacheco, Joana Souza, José Egídio Peccini, Marcos
Augusto Violante, Maria Antonietta Castro Pivatto.
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